O projeto Territórios do Abandono realiza uma ação artística junto a uma casa abandonada na Rua Hércules Galló, 578, na região denominada Baixo Centro, em Caxias do Sul. A atividade com características de site-specifc une a artista plástica Mara De Carli e a arquiteta e artista visual Florencia Menegolla que vêm trabalhando juntas desde janeiro de 2025 em caráter de residência artística. Nesta nova etapa do processo colaborativo de criação, desenhos, projeções audiovisuais, música, e escritas em tempo real, feitas pelo jornalista cultural Carlinhos Santos, fazem parte da intervenção. O projeto foi selecionado no edital 2025 do Financiarte.
Mara De Carli e Florencia Menegolla começaram a parceria no ano passado numa casa abandonada da Rua Hércules Galló 578. A edificação foi praticamente destruída por um incêndio, gerando na dupla a perspectiva de fazer do que restou do espaço matéria para a criação artística, pensando em territórios abandonados da paisagem urbana de Caxias do Sul. O processo criativo resultou em esboços de desenhos, objetos artísticos e registros de processos. As trocas artísticas foram feitas com diferentes recursos uma vez que Mara vive em Caxias e Florencia mora em Buenos Aires.
O diálogo entre arte e arquitetura atravessa esse encontro artístico, agora acrescido de projeções audiovisuais, música e escrita. Nesta nova etapa, que também se formata na condição de residência artística, Mara e Florência passarão a quarta-feira trabalhando no local. A intervenção artística que vai correr entre às 18h e 21h poderá ser acompanhada por quem passar por lá não como uma exposição artística convencional, mas tornando-se uma espécie de ruído na paisagem, provocando olhares e reflexões diante do, a partir de agora, denominado Território 578.
A interferência no lugar que futuramente deverá ser a sede do Instituto SAMbA serve também como uma espécie de ativação de um percurso na Hércules Galló – onde o SAMbA já teve sua primeira sede -, com futuras novas ações artísticas na rua, feitas em parcerias com vizinhos do local como o Colégio Murialdo.
No contexto das referências que movem a intervenção artística foram estudadas questões relacionadas ao abandono dos territórios e edificações da cidade, bem como temas relacionados ao etarismo – uma vez que se desenha o encontro de diferentes gerações de criadores: Mara De Carli possui uma trajetória artística de décadas em Caxias e Florencia representa os novos criadores da cena - , que são recorrentes na produção artística contemporânea. Assim, esta etapa da residência artística da dupla se apresenta não como resultado, mas ainda como processo de pesquisa artística movida por diferentes procedimentos de criação e instâncias de compartilhamento desses percursos.
O entendimento sobre a transcendência do tempo, onde a luz e os materiais da moradia de décadas, destruída pelos fatos e os acontecimentos mais recentes, se transformará numa poética feita com as escritas do jornalista cultural e os gestos das artistas, ressoando como um profundo senso de lugar, emoção e pertencimento.
O projeto tem curadoria artística de Gabriela K. Motta, Produção cultural do Instituto SAMbA, Pesquisa de Território de Jéssica De Carli e Giulia Luza, Projeto Educativo Social de Vivacidade, Instituto Sérgio Lovato e Instituto de Leitura Quindim.


